14 de nov. de 2009

Reflexões sobre um milagre

O passageiro Dave Sanderson, um dos heróis da queda do voo 1549 da US Airways, nos põe a par dos fatos dramáticos ocorridos no avião que mergulhou no gelado Rio Hudson, em Nova York - e todas as 160 pessoas a bordo sobreviveram. História completa abaixo!!

Viajo mais de 150 quilômetros por ano e passo muito tempo no ar. Costumo pegar voos que partem de tarde, depois que termino o meu trabalho como gerente de vendas da Oracle.
Em 15 de janeiro estava com a passagem do voo das 17H de Nova York para Charlotte, na Carolina do Norte. Mas as 11H30 já resolvera tudo. Liguei para a agência de viagens e me puseram para o voo das 15h25 - voo 1549 da US Airways. Um voo normal de volta para casa. Dali a uma hora e meia estaria de novo em terra; duas horas depois, com a minha mulher e meus filhos.
Estávamos no ar havia uns 90 segundos quando o motor esquerdo explodiu. Eu me encontrava daquele lado, na poltrona 15A. Ouvi a explosão e vi as chamas pela janela. Mas não percebi que tinhamos perdido os dois motores e toda a força.
Instalou-se um silêncio total. Todos olhavam em volta, sem saber oque fazer. Passamos por sobre algo; depois me disseram ter sido a Ponte George Washington. Voávamos muito baixo. Eu não parava de ver a água e os prédios de Nova York se aproximando. Pensei que provavelmente o piloto teria de pousar no Rio Hudson. Dali a uns 30 segundos, talvez menos, ele disse: "Preparem-se para o impacto.". Olhei em volta. Algumas pessoas davam os braços as outras, e houve quem se agachasse. Todos rezavam enquanto o avião descia.
Pus o braço em torno da cadeira à minha frente e comecei a rezar. Dali a dez segundos, caímos na água. Disse a mim mesmo: Estou vivo! Tenho de sair daqui! Todo mundo pensava a mesma coisa. Quase imediatamente, a água nos chegou aos tornozelos. Fiquei perto da saída, ajudando os outros a subir na asa. Queria me certificar de que ninguém ficaria para trás.
Vi uma senhora nos fundos tentando pegar a mala e a bolsa. Gritei-lhe que esquecesse a bagagem. Ela não me deu ouvidos. Levou a mala e a bolsa pelo corredor até a asa molhada e escorregadia, mas aí deixou as duas cairem dentro d'água. Peguei a bolsa para ela.
Nessa hora eu estava com um pé no avião, outro na asa, e escorregando. O pequeno bote salva-vidas inflável do avião já se achava praticamente lotado. E todo mundo se amontoava em ambas as asas, lutando para se manter em pé.
Uma mulher não conseguia pular para o barco salva-vidas porque estava com um bebê de 9 meses no colo e tinha medo de entregar o filho aos outros. Eu lhe disse que jogasse o bebê para as mulheres do barco salva-vidas, a menos de um metro de distância. Entretanto ela estava apavorada e se recusava a entregá-lo.
Havia um risco enorme de a mulher escorregar da asa. Se ela e o bebê caíssem no rio gelado, a criança poderia morrer. A temperatura era de 10 graus negativos, e a água estava a quase zero grau. Ninguém aguentaria mais doque 10 a 15 minutos. Por fim, ela jogou o bebê para o bote salva-vidas e se embarcou.
Assim todo mundo ficou salvo.

O resto da história se encontra na revista Seleções da Criando seus filhos: As lições dos Obamas

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